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Mao Tse-Tung


Mao Tse-Tung (1893-1976) Revolucionário e estadista chinês nasceu em 26 de dezembro de 1893 na aldeia de Chao-Chan filho de um lavrador. Aos oito anos é confiado ao mestre-escola da aldeia que o ensina a ler e a fazer contas. Em 1911 vai para a capital de sua província, Changsha, no momento em que o império caiu e é proclamada a república sob o comando de Sun Yat-sen. Mao entra para a escola provincial onde se forma em 1918. Vai para Pequim e toma contato com as obras de Marx. Em 1921 instalam-se primeiros núcleos comunistas patrocinados por agentes do Komintern. Em junho deste ano ocorre o 1º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) em Xangai do qual Mao é um dos fundadores. Na China os democratas burgueses reúnem-se em torno de Sun Yat-sen criando-se o Kuomintang, e por ordem do Komintern o PCC alia-se a este último. No dia 13 de julho de 1927 o governo nacionalista declara fora da lei o PCC e Mao entra na clandestinidade, partindo para montar uma base partidária nas montanhas de Chingkangshan. Estabelece uma rede de apoio nas aldeias da região ganhando o apoio dos camponeses. Criam-se as primeiras assembléias (sovietes) de soldados e camponeses. Em julho de 1928 o 6º Congresso do PCC realizado em Moscou defende que o proletariado urbano deveria encontrar-se à testa da revolução. Camponeses proprietários de pequenas parcelas de terra eram vistos como inimigos e como uma gama da classe capitalista. Porém o proletariado é uma minoria despida de importância na China devido a escassa industrialização.

Em janeiro de 1929 Mao deixa Chingkangshan em direção às planícies do Kiangsi no intuito de ampliar as bases comunistas. Os nacionalistas do governo infligem-lhe pesadas perdas. Em julho de 1930 sua mulher Yang K’ai-hui e sua irmã mais nova são capturadas, julgadas e mortas numa operação de limpeza policial. Neste período vai ganhando um relevo cada vez maior a figura de Chiang Kai-Shek que se torna generalíssimo das tropas nacionalistas e substituiu Sun Yat-sjen à frente do Kuomintang após a morte deste em 12 de março de 1925. Em 1932 Mao é substituído por Chou En-lai à frente das tropas comunistas, batizadas de Exército Vermelho. Chiang Kai-Shek inicia em 1933 uma ofensiva a “quinta campanha de aniquilamento”. O Exército Vermelho tem de fazer uma retirada e abandona as zonas conquistadas e agora perdidas, é o episódio da Longa Marcha (1934-1935). Dos 100 mil homens que iniciaram a marcha em outubro de 1934 em Kiangsi, somente 20 mil chegaram à base de Shensi em outubro de 1935. A nova base central de operações localiza-se na cidade de Yenan. Uma região montanhosa e de difícil acesso, cheio de grutas, Mao morará numa durante vários anos. É um período de paz nas perseguições. Este período de pausa da luta, é de intensa elaboração doutrinal. Ali se delineiam as instituições básicas da futura organização da sociedade, as bases da nova China.

É a “República de Yenan”. Em setembro de 1934 o japoneses invadem a Manchúria no norte da China, Chiang empenhado nas campanhas de aniquilamento aos comunistas não reagiu. No Yenan o problema torna-se a expulsão dos japoneses, procura-se reatar com o Kuomintang em nome da salvação do território chinês, forma-se uma Frente Única em 1937, mas tanto a China Nacionalista como a China Vermelha conservam sua independência orgânica e militar. O Exército Vermelho passa a chamar-se 8º Exército. A guerra sino-japonesa eclode em junho de 1937; entre novembro e dezembro, os japoneses ocupam Xangai e Nanquim. Em 1939 começa a Segunda Guerra Mundial, os japoneses atacam Pearl Harbor em 1941. Após o final da Segunda Guerra a coexistência entre o Kuomintang e o Partido Comunista torna-se insustentável. Em 1945 Mao encontra-se com Chiang, mas a reunião não obteve muitos resultados e inicia-se a guerra civil. O Exército Vermelho chama-se agora Exército Popular de Libertação (EPL) e durante o decorrer de 1947 e 1948 este passa à ofensiva. Em 1947 Chiang Kai-Shek transfere o governo para a ilha de Formosa (Taiwan). A 1º de outubro de 1949 é proclamada a República Popular da China e Mao assume o governo como presidente. Em dezembro viaja a Moscou e encontra pouca receptividade de Stalin. Moscou nunca viu com bons olhos a independência dos chineses em relação às suas orientações, além do que temia o surgimento de uma nova potência entre os países socialistas. Mesmo assim a URSS concede um empréstimo à China e oferece ajuda para a instalação de novas indústrias. Em fins de 1951 Mao concluiu as primeiras três iniciativas do governo: a reforma agrária, a ajuda à Coréia em guerra e a eliminação da contra-revolução. A lei da Reforma Agrária é drástica, são expropriados os grandes latifundiários e os camponeses ricos, se houvesse resistência, eram simplesmente eliminados ou presos. Não se tratava de eliminação da propriedade, mas da divisão dela em pequenos lotes e sua distribuição aos camponeses. Como este processo de divisão não se mostrou satisfatório, instituiu-se a propriedade coletiva da terra através das comunas no final da década de 50. Estas eram uma grande organização agrícola que agrupava centenas de povoados, de fazendas e núcleos familiares, estas deveriam ser auto-suficientes. A eliminação da contra-revolução também é radical, o número de execuções com certeza foi além de 2 milhões de pessoas. Em 1952 é lançado o primeiro Plano Qüinqüenal, a URSS serve como modelo. A ênfase maior é na instalação da indústria pesada. A produção de aço, eletricidade e carvão aumentam consideravelmente. Entre 1956 e 1957 começa-se uma política de afrouxamento permitindo-se uma certa liberdade de idéias e de crítica: é a Campanha das Cem Flores, porém inicia-se uma séria de críticas contra o monopólio ideológico, segue-se uma “campanha de ratificação” para aqueles que se “desviaram”. Após os resultados extremamente positivos do primeiro, lança-se o segundo Plano Qüinqüenal que segundo as palavras do próprio Mao é o grande salto para a frente, o que demonstra um pouco a sua mentalidade de revolucionário romântico, baseando-se muito mais no entusiasmo. Apesar da euforia inicial, já em 1959/60 demonstra seus fracassos. Os técnicos soviéticos se retiram devido aos desentendimentos entre Kruchtchov e Mao. As mudanças se processam num ritmo muito acelerado o que desagrada os trabalhadores, além do que são aplicadas de cima para baixo, muitas vezes desvinculadas das reais necessidades da população. Tudo isso aliado a fatores climáticos adversos (secas, inundações) fazem a iniciativa resultar num grande fracasso. A falência do plano faz com que Mao deixe a presidência da república em 1959. Vai para sua cidade natal, mas continua a presidir o partido. Liu Shao-chí torna-se o novo presidente desejando adotar políticas estatais mais controláveis e realísticas. O Partido adota uma política de centralização das decisões para si mesmo. A autonomia das decisões nas fábricas também volta às mãos dos diretores e cresce a influência dos camponeses médios e ricos e dos funcionários do Partido. Apoiado na força do EPL e em seu comandante Lin Piao, além de em sua própria influência pessoal Mao em 1965 prepara-se para voltar ao poder. É o que vai ocorrer no desenrolar-se da Revolução Cultural. Esta processou-se não apenas contra a hierarquia do partido, acusada de revisionismo. Organizações juvenis, os chamados “guardas vermelhos” varrem tudo que consideram prejudicial ou inútil ao país ou seja os “quatro velhos”- velhos hábitos, velhas cultura, idéias e costumes”, combatendo os remanecentes do poder burguês, inclusive dentro do Partido. Porém Mao tem o exército sob o seu controle, ou seja tem os meios de controlar aquela “fúria” quando necessário. Em outubro de 1968 Liu Shao-chí é afastado e em 1º de abril de 1969 no 9º Congresso, o PCC é reestruturado e consolida as conquistas da Revolução Cultural, que é domesticada depois de Mao conseguir seus objetivos. Neste meio tempo em 1964 a China explode a sua primeira bomba atômica e recolocam-se em movimento as indústrias. Em 1972 o presidente norte-americano Richard Nixon viaja à China. No dia 26 de outubro de 1971 a China é admitida na ONU tomando parte entre os cinco países membros do Conselho de Segurança. Em setembro de 1976, o Grande Timoneiro, morre aos 83 anos.