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Lênin


Lênin (1870 - 1924) Vladimir Ilitch Ulianov, político, revolucionário e teórico de marxismo, nasceu a 10 de abril de 1870 na pequena cidade russa de Simbirsk. Em 12 de janeiro de 1886, morre-lhe o pai Ília Nicolaevitch, no ano seguinte seu irmão mais velho Alexander, estudante de Ciências na Universidade de São Petersburgo, foi preso e enforcado, pois participara de uma conspiração fracassada para matar o czar Alexandre III. Lenin termina o liceu e se matricula na Universidade de Kazan onde fica apenas sete semanas. Por ter participado de uma manifestação é preso (5 de dezembro de 1887) é deportado para Kokuskino. Em novembro de 1891 formou-se em Direito em São Petersburgo e estabeleceu-se em Samara onde exerce a profissão de advogado e inicia a leitura das obras de Karl Marx. Muda-se para São Petersburgo em 1893 e lá adere ao marxismo e passa a fazer o trabalho de propaganda, doutrinamento e a realizar discursos nas portas de fábricas. Em 1895 funda a União de Luta para a Libertação da Classe Operária. Viaja para a Suíça no intuito de encontrar George Plekhanov, chamado “o pai do socialismo russo”. Em 21 de dezembro de 1895 é preso, no cárcere começa a escrever O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia. Seu processo termina com a condenação a três anos na Sibéria, é acompanhado por Nadejda Krupskaia com que se casa (julho de 1898). Em 1900 termina o seu exílio e foge para a Suíça onde encontra com Plekhanov e a 24 de dezembro sai o primeiro número do Jornal Iskra (Centelha). Em Londres encontra com Leon Trotsky (1902) que passa a integrar a redação do Iskra. Publica o livro Que Fazer?. O ano de 1903 é marcado pela cisão do II Congresso dos Social-Democratas russos, realizado em Bruxelas e Londres. O resultado foi o surgimento de duas tendências opostas, os bolchevique (que significa maioria) e os menchevique (grupo minoritário). Para estes últimos era necessário esperar o desenvolvimento do capitalismo e do proletariado para começar a revolução. No dia 9 de janeiro de 1905 ocorre o Domingo Sangrento quando o exército abriu fogo contra uma manifestação pacífica que queria despertar a atenção do czar sobre sua situação de extrema miséria, morreram mais de mil manifestantes. A revolta difundiu-se por todos o país.

Diante das pressões o czar cedeu e convocou eleições para a Duma (Parlamento) e de 1906 a 1917 viveu-se um período “constitucional”. O efeito foi o esvaziamento da agitação popular. Em novembro de 1905 Lenin volta a Rússia e durante dois anos viaja pelo país fazendo discursos. Por fim o czarismo retirou ou tornou inócuas as concessões liberais que fez. Em 1907 Lenin tem que fugir da Rússia e vai para a Finlândia. Em 1908 escreve Materialismo e Empiriocriticismo e publica o primeiro número do Pravda. Permanece no exílio pela Europa. Em 1914 a Áustria declara guerra à Rússia e Lenin é preso. É solto em seguida e muda-se para a Suíça. Entre 1910 e 1917 escreve Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo e Estado e Revolução. Em 1917 acontece a chamada Revolução de Fevereiro na Rússia. A burguesia liberal apoiada pela esquerda provoca manifestações de trabalhadores no intuito de pressionar o governo, devido à crise de deterioração social pelo qual passa o país como conseqüência do envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial. Sem o apoio do exército, o czar abdica. Formou-se o Governo Provisório presidido pelo Príncipe Lvov e tendo Alexander Kerenski como ministro da Justiça. É dada uma anistia geral o que permitiria a volta de Trotsky e Lenin. Neste meio tempo encontrava-se em Zurique e desejava voltar à Rússia a todo custo. Não podia contar com a França e a Inglaterra, pois pregava a paz e a saída de seu país do conflito, o que significava que os aliados iam perder uma frente de combate, o que favorecia o Kaiser. Talvez por isso este último concede a Lenin chegar à Rússia atravessando a Alemanha de trem (o chamado “Trem Blindado”), chegou finalmente a 16 de abril de 1917. Atacou de imediato o governo provisório e lança as Teses de Abril, na qual as palavras de ordem são: todo o poder aos sovietes, massificação da propaganda bolchevique, nacionalização de bancos, controle das fábricas pelos operários, terra para os camponeses e restabelecimento da paz. Em julho de 1917 o chefe do Governo Provisório, Lvov cai e é substituído por Kerenski, os bolcheviques são perseguidos e Lenin foge para a Finlândia. Em setembro tropas comandadas pelo general Kornilov e fiéis ao antigo regime avançam sobre Petrogrado. Kerenski pede ajuda aos operários; Lenin retorna e os bolcheviques fortalecem-se. O governo provisório insiste em prosseguir a guerra e nega-se a distribuir terra aos camponeses. Em 6 de novembro (pelo calendário russo 24 de outubro) os bolcheviques ocupam os pontos chave de Petrogrado, o encouraçado Aurora bombardeia o Palácio de Inverno então sede do governo, Kerenski foge. No dia 7 reune-se o Congresso Pan-Russo dos Sovietes que designou um Conselho de Comissários do Povo, presidido por Lenin, com Trotsky no comissariado das Relações Exteriores e Stalin no das nacionalidades. Para manter-se no poder realizam mudanças estruturais, elimina-se a grande propriedade rural, faz-se a distribuição de terras, estatizam-se as fábricas que passam à gestão dos operários e assina-se um Tratado de Paz com os alemães em Brest-Litovsk (março de 1918). Nas eleições para a Assembléia Constituinte em dezembro de 1917, os bolcheviques não conseguem a maioria dos votos e em janeiro de 1918 a Assembléia Constituinte é dissolvida pelo conselho dos Comissários do Povo e estabelece-se a ditadura do proletariado. Em 7 de março de 1918 o nome do Partido Bolchevique foi mudado para Partido Comunista. Foram três anos de guerra contra os russos-brancos, adversários da revolução. Os antigos aliados da Rússia na guerra invadem agora o seu território. Cria-se a Tcheka, polícia política que combate os contra-revolucionários. Neste contexto em julho de 1918, a família real é executada. A 30 de agosto de 1918, Fania Kaplan dá três tiros de revolver em Lenin, mas apesar de não ser mortal foi bastante sério. Em julho de 1919 reúne-se o Komintern (Terceira Internacional Comunista) com a finalidade de levar a revolução socialista ao território dos inimigos. Em novembro acontece o fim da guerra civil e da intervenção estrangeira na Rússia européia. Os resultados desse período foram desastrosos, a produção e todos os setores da economia decaíram, pois os trabalhadores não tinham experiência em administrar empresas, o comércio praticamente deixou de funcionar e o bloqueio econômico dos países capitalistas pioravam a situação. Os camponeses deviam entregar sua produção ao governo, e os que escondiam a colheita sofriam a repressão da Tcheka. O resultado foi a fome de 1921. Os marinheiros de Kronstadt amotinam-se em março deste mesmo ano e são massacrados. No X Congresso do Partido instaura-se a Nova Política Econômica (NEP), esta continha alguns aspectos do capitalismo, na verdade Lenin pretendia dar um passo atrás para poder seguir dois adiante. O governo passou a investir na produção de energia e matérias-primas, passou a importar técnicos e máquinas estrangeiras. Propôs-se uma certa liberdade de comércio e de iniciativa privada, ficando nas mãos do Estado a terra, os bancos e a grande indústria. A NEP deu concessões a capitalistas estrangeiros, permitiu a criação de sociedades mistas com o Estado e concessões privadas. Logo começaram a produzir frutos e a dar sinais de melhoria na economia, fez crescer a produção agrícola e industrial, impulsionando o comércio, criando vantagens para determinados grupos sociais. Em maio de 1922, Lenin sofre o primeiro ataque de hemorragia cerebral com a paralisia do lado direito do corpo e dificuldade de fala. Em outubro pode voltar a trabalhar novamente. Em 9 de março de 1923 teve um novo ataque mais violento, viveu oito meses inválido e morreu a 24 de janeiro de 1924. Seu corpo foi embalsamado e colocado num mausoléu junto às muralhas do Kremlin. Lenin antes de morrer tentou eliminar os perigos que representavam a burocracia que impedia o bom funcionamento do Estado. Mesmo gravemente enfermo dita uma carta ao Congresso em 1922 onde é severo com o secretário-geral Stalin. O “secretário-geral” é grosseiro, vil, brutal, muito pouco “humano”, segundo Lenin. Concentrou em suas mãos um imenso poder, e “não tenho certeza se saberá usá-lo com suficiente prudência”. Seria preciso substituí-lo num cargo tão importante, acrescenta ele.